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    Cadeia Alimentar
    21 Dez 2011


    Após décadas de caça descontrolada, em que os recursos venatórios eram tratados como se fossem infindáveis, as presas silvestres do Lobo foram levadas quase à extinção. A exemplo disso temos o Corço que só se salvou da extinção quando foi retirado da lista de espécies venatórias ou a Cabra-Montês do Gerês que foi extinta sem hipótese de retorno (a espécie que hoje se reproduz no Gerês não é igual à que existia outrora em Portugal). Com tudo isto, e para evitar a sua própria extinção, o Lobo voltou-se para as espécies domésticas como as vacas, cavalos ou mesmo ovelhas e cabras. Em conjunto com algumas presas silvestres que vai conseguindo encontrar o gado doméstico faz parte da sua alimentação. Nesta região o Lobo tem uma presa de eleição, o Garrano. Muitas manadas deste bonito pónei de montanha circulam pela serra sem registo e muitas delas nem se sabe muito bem quem é o dono (pelo menos quando elas fazem prejuízos…). Agora perguntam-me qual é a relação de toda esta conversa com a foto! É simples, se repararem no lobo da frente vão ver que a sua barriga está cheia. Toda a alcateia esteve a alimentar-se a algumas centenas de metros desta câmara. Um poldro “menos preparado que os outros”, como defendem os bons criadores desta raça de cavalos, foi predado pelo lobo.



    Uma grande família
    15 Dez 2011

    Um após outro, os elementos do grupo entram na imagem. 4 lobos, magníficos e bem alimentados, exibem os seus casacos de inverno ainda em bom estado. Este pequeno grupo de pelo menos 5 elementos (4 entram na imagem mas está pelo menos mais 1 no exterior do maciço de vegetação) vem provavelmente de uma caçada bem sucedida. As barrigas bem cheias demonstram que comeram bastante e estão prontos para aguentar alguns dias sem ter de voltar a caçar. O facto do homem, pela acção da caça, ter criado uma diminuição das presas silvestres do lobo faz, infelizmente, com que o lobo tenha de recorrer ao gado doméstico para se alimentar. Isto torna-o concorrente do homem, criando assim inimigos no seio das populações locais. O maior problema advém do facto de actualmente, com os subsídios comunitários, o gado continuar a existir na serra mesmo sem estar acompanhado pelo pastor. Torna-se assim fácil ao lobo caçar este gado. Antigamente todos os animais eram guardados pelo seu proprietário e pelos seus cães, como é o caso do cão de Castro Laboreiro, tornando muito difícil ao lobo caçar estes animais.



    Comestível para uns, mortal para outros.
    5 Dez 2011

    Este corço come alegremente uma espécie de cogumelo que, pelas suas características tóxicas e alucinogénias, está na categoria dos muito perigosos para o homem. O Amanita muscaria, aquele cogumelo vermelho com pintas brancas que tantas vezes aparece nos desenhos para crianças, tem algumas substâncias, como a muscarina, que provocam no ser humano problemas intestinais e nervosos levando a um estado de embriaguez e muito provavelmente à morte. Será que o corço tem na sua dieta alimentar cogumelos venenosos como nós temos os doces ou as frutas? Ou com a proximidade da noite apenas queria preparar-se para alguma “rave” na discoteca local?
    É também por situações como estas que não devemos destruir espécies ou habitats. O que desconhecemos hoje pode salvar milhares de vidas no futuro.



    Geneta, uma raridade.
    30 Nov 2011

    Observar uma Geneta no seu ambiente natural é algo de muito improvável. Por um lado porque é um animal bastante raro e por outro porque o seu comportamento é de um animal essencialmente crepuscular e nocturno. Nesta foto, obtida na Peneda por uma câmara do Renato Fernandes, amigo e colaborador do Ver Natureza, uma Geneta mostra toda a sua beleza.
    Uma espécie tipicamente de bosque ou vegetação densa, a Geneta é constantemente ameaçada pela perda de habitat causada maioritariamente pelo fogo.



    Há sempre um atrasado.
    25 Nov 2011

    Nove Javalis, uma vara bem grande, divide o seu território com o do seu suposto predador.
    Este vídeo, feito por uma câmara que está colocada num local onde o Lobo aparece com frequência, é um excelente exemplo de que efectivamente o Javali é muito pouco predado pelo Lobo, tal como é referido no post “Há que fuçar para comer!”. Para comprovar a dificuldade que os lobos têm em caçar um javali adulto deixo uma história protagonizada por uma bióloga colaboradora nossa, a Monia Nakamura, que durante uma espera para observar os Lobos assistiu à tentativa de 2 lobos caçarem um Javali adulto. Segundo ela, a luta foi intensa e longa. Por várias vezes os dois lobos conseguiram estar por cima do Javali parecendo que este estaria dominado. De todas as vezes, o Javali, com a força que lhe é reconhecida, se levantou e voltou à luta, deixando a observadora estupefacta perante tamanha bravata. Infelizmente não vos posso dar o resultado da contenda pois, seja qual tenha sido, aconteceu já fora das vistas.



    Os desconfiados vivem mais tempo
    17 Nov 2011

    Esta sequência de imagens mostra-nos como é possível que um animal que é perseguido pelo homem desde a idade média ainda não esteja extinto.
    Poucas horas após termos feito a nossa visita a esta câmara dois Lobos chegam ao local. O seu olfacto apurado detecta a nossa presença. Como o nosso cheiro já não é muito forte a curiosidade ainda os impele. O mais arrojado lidera a “expedição”. À medida que se aproximam do local exacto a ansiedade aumenta. O indivíduo mais desconfiado cede primeiro levando consigo o mais afoito que, pelo sim pelo não, também bate em retirada. Esta câmara está num local frequentado pelo homem. Este local é também frequentado pelo Lobo. Como é possível então que ninguém se aperceba da sua presença? É fácil, o lobo adoptou há muito uma política que lhe tem valido a sobrevivência – no que toca ao ser humano todos os cuidados são poucos…



    Há que fuçar para comer!
    11 Nov 2011

    Uma pequena cria de Javali, provavelmente já no desmame, utiliza o seu focinho para procurar alimento debaixo do manto de folhas mortas do bosque. Para quem não sabe, o desmame é o período em que as crias fazem a passagem do leite materno para a alimentação normal da sua espécie, enquanto adultos. O pêlo listrado, que caracteriza os animais desta idade, desaparece entre os 3 e os 5 meses, altura em que se inicia também o seu desmame. O Javali é uma espécie que continua em expansão devido à ausência de predadores naturais. O Lobo é o seu único predador natural, no entanto, devido à diminuição do número de indivíduos por alcateia e à agressividade e robustez de um Javali adulto, a predação do Lobo é pouca e é exercida quase por completo sobre os javalis jovens.
    O Javali é responsável por prejuízos de monta em todas as zonas agrícolas do país.



    Um regresso de férias – com lobos
    27 Set 2011


    Queríamos fazer um regresso de férias com algo especial. Pensámos que seria interessante se fizéssemos este regresso com algum lobo incauto que se deixasse fotografar. A sorte sorriu-nos e o nosso amigo lobo, mais uma vez, não nos deixou mal. Uma sequência de várias fotos, em que mais que um lobo (um máximo de 3) passam por uma das câmaras. Na foto que escolhemos, de uma forma magistral 2 lobos apresentam o seu melhor “look”. Mas, nesta foto, temos algo que pode ser ainda mais especial. O animal mais perto da câmara pode ser uma cria já deste ano. O seu aspecto de “cachorrão” é muito idêntico às crias que filmámos em Setembro de 2003 para o documentário. Além disto, esta foto aparece na sequência de um outro avistamento casual que fizemos na mesma área e uns dias antes, de 2 lobos aparentemente muito jovens. Assim, e graças ao “Ver Natureza”, ficámos muito perto de obter a confirmação de que esta alcateia (uma das mais difíceis de acompanhar) criou os seus lobachos este ano.



    A defesa de um território
    14 Jul 2011

    Um Corço macho que muito provavelmente será o progenitor da jovem cria, fotografada por esta mesma câmara há duas semanas, mostra-nos um pouco mais da vida do bosque…
    No campo, quando cruzamos o território de um destes machos, encontra-se com facilidade árvores com a casca arranhada, fruto das marcações odoríferas que os machos realizam com as glândulas pré-orbitais. Este vídeo do Ver Natureza mostra-nos aquilo que muito pouca gente tinha visto até agora: um Corço macho entra na imagem e iluminado pela luz infravermelha da câmara faz a sua marcação no tronco de uma árvore.



    O Lobo – O pastor dos pastores
    28 Jun 2011

    Passam-se meses sem se ver ou ouvir falar que alguém o tenha visto. Nas regiões onde vive, muitas das pessoas que nasceram e ainda vivem no local, nunca o viram.  É talvez a espécie mais mal-amada da fauna Ibérica. Tanto desperta ódios como amores profundos. É protagonista de lendas antigas, mitos modernos e programas de TV. ” É o pastor dos pastores” como nos disse em tempos um amigo, pastor, e grande proprietário de gado de Pitões das Júnias em Montalegre, o José do Outeiro. Na época medieval o Lobo estava para o rebanho dos homens como o diabo estava para o rebanho de deus. Enfim, é um cordeiro com pele de Lobo que já foi olhado como um deus, professor e agora, para muitos, um inimigo.  Tanto quanto se sabe nunca fez mal ao homem, a não ser alimentar-se do gado doméstico depois de lhe extinguirmos as suas presas selvagens habituais.

    O Ver Natureza cumpre mais uma vez a sua função: Divulgar a nossa biodiversidade naquilo que ela tem de menos conhecido.